Dinheiro, trabalho, riqueza, e a automação

Mais dinheiro e mais trabalho é sinônimo de mais riqueza? A riqueza vem da produção útil que nem sempre está atrelada à quantidade de trabalho ou dinheiro. Vamos explorar esses conceitos.

Vinícius Jardim
Vinícius Jardim
Dois caminhões antigos da primeira marca Americana de caminhões

Muitas pessoas criticam a inovação pela perda de postos de trabalho. Mas imagina se não existissem caminhões e trens para fazer o transporte das mercadorias. Tudo ainda estaria sendo transportado no lombo do burro. Teríamos muito mais trabalho e consequentemente empregos para transportar a mesma quantidade de produtos.

Você acha que a sociedade seria mais rica nessa situação?

Mesmo com mais empregos, fica evidente que seríamos mais pobres sem os meios atuais de transporte!

Intuição vs a realidade

Ao contrário do que muitos pensam, não é a quantidade de dinheiro nem a quantidade de trabalho e empregos que deixa a sociedade mais rica. O que deixa as pessoas mais ricas é a quantidade de produtos e serviços úteis. Dinheiro e trabalho são meios, não são fins.

Em uma sociedade com carros, caminhões e trens, é preciso menos gente para transportar a mesma quantidade de produtos do que usando animais, como no passado. Essas pessoas que estariam no transporte, agora estão em outras áreas produzindo outras coisas.

Então com os caminhões e trens, além de termos o transporte, temos a produção desses outros bens. São mais produtos e serviços com a mesma quantidade de trabalho.

Trabalho vs produtividade

Tear antigo de madeira sendo exposto em um museu

É fácil achar que a automação e a industrialização causam desemprego e deixam as pessoas mais pobres. Mas isso está longe do correto. Na verdade, o processo de automação permite com que a população da terra cresça ao mesmo tempo que a porcentagem de pessoas na pobreza diminua nos últimos dois séculos.

Talvez a próxima grande automação se dará em veículos autônomos. Quando isso ocorrer milhões de empregos de motorista estarão com os dias contados. A mídia e os políticos vão alardear sobre os postos de trabalho perdidos e ficarão indignados com o rumo que as coisas estão tomando no mundo moderno.

Eles ignoram que isso não é nenhuma novidade e que os processos de automação vêm ocorrendo há pelo menos 200 anos. Mesmo no setor de transporte, cada motorista de caminhão no início do século XX tirou o emprego de dezenas de carroceiros e criadores de animais. Agora pode ser a vez deles. Infelizmente não existem garantias na vida. As pessoas se adaptam como podem, mas o tempo não para.

O mesmo emprego de motorista, que substituiu os carroceiros, será substituído pelos engenheiros de software e técnicos que desenvolvem e darão manutenção nos veículos autônomos. Isso deixa a sociedade mais rica, pois agora o transporte ocupará ainda menos postos de trabalho por tonelada transportada, liberando mais pessoas para outras atividades. Continuaremos a ter o transporte, além disso teremos os produtos e serviços que essas pessoas vão produzir em outras áreas. O custo do transporte também vai diminuir, viabilizando outros produtos e serviços que nem podemos imaginar no momento.

Mais produtividade, menos pobreza

Engrenagem de um tear circular industrial antigo

Mesmo que inicialmente as pessoas tenham dificuldade em se alocar, o benefício a médio e longo prazo para sociedade é incalculável. Muitas coisas que achamos normais hoje, algum dia tirou o emprego de alguém. Telefone ou email, tear e máquinas de costura, navios, caminhões, tratores, computadores, etc...

Além disso, esse processo vem ocorrendo há dois séculos e a taxa de desemprego não aumentou. Isso porque as pessoas se re-alocam em outras áreas. Hoje praticamente ninguém pensa em ser carroceiro ou criar burros. Porém tem muitas pessoas se tornando motoristas, trabalhando na indústria do petróleo e automotiva.

É difícil para quem perde o emprego, mas não temos alternativa. Sem a evolução tecnológica continuaríamos fadados a fome, miséria e guerras como no passado. Não teríamos as sete bilhões de pessoas que temos hoje. Foi esse processo que evitou que bilhões de pessoas morressem e permitiu que a população da terra, que vinha estagnada, começasse a crescer a partir de 1750.