No Meu Sextante

A fina camada de ar que preenchia o espaço entre mim e o horizonte vibrava em tons de laranja, vermelho, rosa e violeta que pareciam terem sido escritos ali, e nunca mais seriam repetidos.

Vinícius Jardim
Vinícius Jardim

O brilho é disforme
O ar aqui é mais denso
A luz segue os contornos do vento
A cor púrpura em preto se dissolve
Terra que gira a leste de forma lenta
Enquanto Aldebaran a oeste se deita

Paisagem alienígena com picos e raios de luz em um céu noturno com estrelas

Como queria te encontrar
Se vinte parsecs pudesse viajar
Pra esse pôr de sol, você iluminar

Agora o vento no rosto está agradável
Mas avisto tempestade no horizonte
Sei que você não se assustaria
Com o tempo a gente aprende
E encontra a beleza, as virtudes
até no caos, até na fúria

Paisagem com rio indo em direção ao horizonte em que se pode ver uma grande tempestade

Se eu pudesse iria te buscar
Para sistemas binários orbitar
E aos ventos solares velejar

Nenhum mundo é sereno
Nenhuma estrela é guia
Se os pensamentos estão turvos
Se a alma não é cristalina
Nem no céu, nem ao sol
Nem mesmo em Eta Carinae

Se eu pudesse iria te buscar
Pra juntos, mundos navegar
E sobre estranhos rios flutuar

A poeira desenha expirais de luz
Vibrantes vermelhos escarlates
Se todo o tempo eu tivesse
Aqui iria me sentar e olhar
Estrelas nascendo do pó
E em primeiro facho de luz me banhar

Homem observando uma grande e exuberante galáxia espiral em tons de vermelho

Se eu pudesse iria te buscar
Pra te mostrar essa rosa estelar
Só a Nebulosa Roseta a nos observar

Daqui o Sol é só mais uma estrela no céu
Uma estrela em Eridanus no meu sextante
As vezes o confundo com Achernar
É aterrador estar tão distante
Mas à jornada, temos que nos entregar

Uma nave com velas solares orbitando um planeta com três outros planetas no horizonte

Images geradas por DALL·E 3 usando o poema como prompt.