No Meu Sextante
A fina camada de ar que preenchia o espaço entre mim e o horizonte vibrava em tons de laranja, vermelho, rosa e violeta que pareciam terem sido escritos ali, e nunca mais seriam repetidos.
O brilho é disforme
O ar aqui é mais denso
A luz segue os contornos do vento
A cor púrpura em preto se dissolve
Terra que gira a leste de forma lenta
Enquanto Aldebaran a oeste se deita
Como queria te encontrar
Se vinte parsecs pudesse viajar
Pra esse pôr de sol, você iluminar
Agora o vento no rosto está agradável
Mas avisto tempestade no horizonte
Sei que você não se assustaria
Com o tempo a gente aprende
E encontra a beleza, as virtudes
até no caos, até na fúria
Se eu pudesse iria te buscar
Para sistemas binários orbitar
E aos ventos solares velejar
Nenhum mundo é sereno
Nenhuma estrela é guia
Se os pensamentos estão turvos
Se a alma não é cristalina
Nem no céu, nem ao sol
Nem mesmo em Eta Carinae
Se eu pudesse iria te buscar
Pra juntos, mundos navegar
E sobre estranhos rios flutuar
A poeira desenha expirais de luz
Vibrantes vermelhos escarlates
Se todo o tempo eu tivesse
Aqui iria me sentar e olhar
Estrelas nascendo do pó
E em primeiro facho de luz me banhar
Se eu pudesse iria te buscar
Pra te mostrar essa rosa estelar
Só a Nebulosa Roseta a nos observar
Daqui o Sol é só mais uma estrela no céu
Uma estrela em Eridanus no meu sextante
As vezes o confundo com Achernar
É aterrador estar tão distante
Mas à jornada, temos que nos entregar
Images geradas por DALL·E 3 usando o poema como prompt.