O grande jogo, competição ou cooperação?

As pessoas comparam a economia com um jogo que para um ganhar o outro tem que perder. Mas as relações de trabalho e comércio operam majoritariamente em cooperação desde que haja liberdade.

Vinícius Jardim
Vinícius Jardim

Quando assistimos um jogo de futebol temos a impressão de que é uma competição. Para um ganhar o outro tem que perder. Mas é só isso mesmo? É claro que nas regras de futebol quando um time vence o outro perde, mas e se olharmos o jogo por trás do jogo?

Na verdade, os dois times não estão competindo entre si, eles estão cooperando. Ambos estão ganhando. A finalidade do jogo é produzir entretenimento o que não seria possível com um time só. Quando as pessoas assistem aos jogos para se entreter estão financiando os times via patrocínio.

Jogo de futebol como um quebra cabeça onde as peças se encaixam

Dessa forma todos saem ganhando. O espectador ganha entretenimento, o patrocinador fortaleceu sua marca, os times ganharam dinheiro dos patrocinadores, e os jogadores e demais funcionários receberam o seu salário. O mais importante é que todos agiram de sua própria vontade, ninguém foi obrigado a fazer nada.

Competição vs cooperação

Muitas pessoas comparam a economia com um jogo que para um ganhar outro tem que perder. Mas nem no jogo, nem na economia isso é verdade. As relações de trabalho, o comércio, as empresas, todas operam em cooperação entre si desde que haja liberdade. Muitos consideram que se alguém com dinheiro abre uma empresa e contrata uma pessoa mais pobre está explorando a mão de obra dela. Isso seria verdade se usassem a força ou ameaça como na escravidão.

Se a pessoa aceitou o emprego de livre vontade, pode sair quando quiser e estão cumprindo o contrato, não é uma exploração. A pessoa escolheu cooperar, trabalhar naquelas condições. É uma opção a mais para ela. Se a opção não é melhor que as outras opções que ela já tem, ela pode simplesmente rejeitar, recusando o emprego ou se demitindo.

Liberdade vs escassez natural

Ilustração em que pessoas trabalham a esquerda e outras contemplam a paisagem a direita

Alguns podem argumentar que a pessoa é forçada a trabalhar em condições ruins não só por outras pessoas, mas pelas circunstâncias da vida. Fome, pobreza extrema, etc. Isso é verdade. É muito fácil pra nós, hoje, olharmos condições de trabalho que achamos ruins e querermos proibi-las. Mas ao acabarmos com essas formas de trabalho vamos deixar a pessoa com opções a mais ou a menos?

Nós vamos assumir a responsabilidade de dar um emprego melhor, dar comida, dar moradia nós mesmos ou vamos terceirizar a responsabilidade e dizer que é dos outros, dos mais ricos, do governo? E se realmente alguém dará condições melhores, por que precisaríamos proibir algo? Não é só deixar a pessoa escolher? Quando o governo proíbe alguém de trabalhar abaixo do salário mínimo, ele garante um emprego com o valor do salário mínimo ou deixa a pessoa desempregada?

Nós seres humanos não alcançamos a liberdade total. Temos o direito de sermos livres dos homens. Temos esse direito, pois nascemos com o livre arbítrio. É um direito natural, vem da natureza ou de Deus, se preferir. Apesar de termos o controle do nosso corpo, temos o controle somente do nosso corpo. Não controlamos a natureza, muito menos as outras pessoas. A lei do mundo natural é a fome, o frio, o calor extenuante, a miséria. Nos foi concedido o livre arbítrio, mas NÃO nos foi concedido a abundância.

Liberdade de escolha

A fartura e o bem estar material é fruto do trabalho, da inteligência, do conhecimento acumulado e disperso e de como as pessoas se organizam para obterem metas em comum. Só assim bilhões de pessoas escaparam da lei natural da fome. Infelizmente ainda falta pelo menos outro bilhão escapar desse destino. Se quer ajudar de forma sustentável, trabalhe, seja empreendedor, produza, gere empregos. Produza e compartilhe conhecimento. Seja honesto e respeite a liberdade dos outros. Se quer ajudar de forma emergencial faça caridade.

As pessoas têm que ser livres para trabalhar e produzir. Só assim vamos continuar reduzindo a miséria.